Reparação e Bem Viver: Marcha das Mulheres Negras 2025

Piauí marca presença na Marcha das Mulheres Negras 2025 e fortalece a luta por reparação e políticas antirracistas

Delegação do Piauí rumo à Brasília-DF.

A 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras, realizada no dia 25 de novembro de 2025, em Brasília, reuniu milhares de mulheres de todo o país para marchar em defesa da reparação histórica, da igualdade racial e de gênero, do fim da violência, e pelo que o movimento chama de “bem viver”.

A marcha ocorreu numa data simbólica: o dia seguinte ao Dia Nacional da Consciência Negra e no contexto da campanha dos 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres e Racismo, reforçando a importância de mobilizar a sociedade para transformar demandas históricas em políticas concretas.

Principais pautas da marcha

O tema deste ano, “Reparação e Bem Viver”, reforça a necessidade de reparação histórica para a população negra, com foco especial nas mulheres negras, cujo enfrentamento é marcado por racismo, sexismo e diversas desigualdades estruturais. 

Durante a Marcha, pautas como a defesa dos territórios quilombolas e comunidades tradicionais, bem como a justiça ambiental, também foram bases para as discussões. Uma das participantes do evento relata que a confluência de falas de mulheres de todo Brasil fortalecem as exigências do  movimento. Odete, piauiense assistente social e trinta anos de militância, que também esteve na Marcha, complementa:

“E a gente entende que esse momento é um momento histórico, importante para a gente continuar cobrando o poder público. As mulheres já contribuíram muito e continuam contribuindo e as respostas são poucas em todos os aspectos; na cultura; história; moradia;salários dignos. Todas essas questões estão vindo muito devagar, então a gente tem pressa, porque amanhã tem várias outras meninas pretas que precisam ter condições de vida melhores.” 

As reivindicações do encontro incluem garantias de moradia digna, emprego, segurança, acesso à saúde, educação, justiça social, proteção de territórios quilombolas e comunidades tradicionais, reconhecimento da diversidade de mulheres negras — quilombolas, indígenas, trans, de terreiro, periféricas — e políticas públicas que efetivem a igualdade.

Participação do Piauí: protagonismo e diversidade

A participação do estado do Piauí na marcha de 2025 foi significativa, estima-se que cerca de 400 mulheres piauienses tenham embarcado em caravanas rumo a Brasília para participar da marcha.  As participantes vêm de contextos variados: mulheres negras, trans, quilombolas, mulheres de terreiro e indígenas, mostrando a pluralidade de identidades que compõem o movimento no estado. 

Segundo militantes piauienses, a participação da marcha traduz não apenas visibilidade política nacional, mas um exercício de afirmação identitária: “Do Piauí foram cerca de 400 mulheres, 20 só de Floriano. É bastante simbólico para nós estarmos em Brasília nesse ano”, conta Jaqueline Monteiro, profissional de Educação Física que esteve presente no encontro.

Isso indica que a mobilização no Piauí não se limita à simples participação em um evento nacional, mas reflete um esforço contínuo das redes de mulheres negras em seus territórios.

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